vinicio horta

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As imagens que brotam do papel ferido e acariciado pelo lápis de Vinicio nunca são projetadas. Entretanto parecem que estavam incrustadas no papel muito antes dele fazê-las vir à tona. Horta desenha espontaneamente, sem controle intelectual, mas seus resultados não são catárticos. Parecem “pensados” por sua destreza manual e pelo dominio que tem do desenho durante o processo. Mas Vinicio não se rende a esse domínio técnico. Ao contrário, declaradamente, ele luta contra as facilidades que o longo exercicio do desenho naturalmente incorpora ao seu trabalho, por meio de uma feitura mais rápida (e talvez mais precária, menos controlada e mais surpreendente) numa tensão polarizada entre bom e mau desenho.As imagens que brotam do papel ferido e acariciado pelo lápis de Vinicio nunca são projetadas. Entretanto parecem que estavam incrustadas no papel muito antes dele fazê-las vir à tona. Horta desenha espontaneamente, sem controle intelectual, mas seus resultados não são catárticos. Parecem “pensados” por sua destreza manual e pelo dominio que tem do desenho durante o processo. Mas Vinicio não se rende a esse domínio técnico. Ao contrário, declaradamente, ele luta contra as facilidades que o longo exercicio do desenho naturalmente incorpora ao seu trabalho, por meio de uma feitura mais rápida (e talvez mais precária, menos controlada e mais surpreendente) numa tensão polarizada entre bom e mau desenho.

Entretanto a sedução do pleno domínio técnico e a consciência da necessidade de superá-lo, não delimitam sozinhos o campo poético da obra de Vinicio. O jogo entre estes pólos não é um fim em si mesmo, ou o objetivo do trabalho, mas o único meio de produzir narrativas mínimas. Mais que imagens, as figuras que cria são simultaneamente personagens dos short cuts da vida diária de centros urbanos como Londres, onde vive, ou o Rio de Janeiro, sua âncora brasileira.

Seus personagens são emblemas da transgressão, do desejo, da loucura, do Bas-fond e do consumo que habitam nossos lados mais recônditos, não declarados, e que por isso não possuem a transcendência e a perenidade dos temas e narrativas do passado.

As figuras que povoam as imagens de Horta são tão incompletas, parciais ou fragmentárias quanto as narrativas que o artista constrói graficamente. Plenos de contemporaneidade, seja pelo que aparentam e fazem ou pelo que sinalizam para nosso imaginário (um Mickey, por exemplo), estes pequenos personagens possuem a silenciosa delicadeza e a falta de espessura tipicas da memória (ou do desejo). Arrancados dos subterrâneos em que habitam eles afloram no papel para viver em osso olhar pelas mãos de Vinicio Horta.

Fernando Cocchiarale

sem titulo. 2005

acima: sem titulo. 2005

 

 

 

 

 

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© Vinicio Horta